sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Por que voto em Dilma?

Estas eleições estão marcadas por uma profunda polarização política e social e que por isso deve ser tratada com a maior seriedade possível. Muito está em jogo neste processo eleitoral mas, infelizmente, a maioria da esquerda socialista organizada no PSOL – meu partido – e nos pequenos partidos da ultra-esquerda não consegue ir além de caracterizações muito gerais e abstratas para que possam entrar em contato com as reais complexidades e com os dinamismos efetivos deste grande caleidoscópio que é a sociedade brasileira.

A ultra-esquerda, aferrada ao seu dogmatismo incurável, mergulha cada vez mais fundo em uma incapacidade política que parece separá-la definitivamente de qualquer diálogo frutífero com as reais necessidades e interesses das maiorias populares do país. Por outro lado, o PSOL que nasceu com a proposta de ser a superação do semi-suicida pragmatismo conservador e sem princípios hegemônico no PT e expresso no primeiro mandato do governo Lula e, ao mesmo tempo, buscando evitar os erros do esquematismo teórico e o sectarismo político da ultra-esquerda, parece não haver conseguido, pelo menos em seu conjunto, perceber a profunda mudança representada pelo segundo mandato presidencial de Lula em relação aos seus primeiros quatro anos.

A linha adotada pelo governo Lula, em seu primeiro mandato, extremamente “paz e amor”, praticamente desarmou politicamente o conjunto das forças da centro-esquerda e da esquerda do espectro político contra as potenciais investidas da direita neoliberal, investidas estas que se materializaram quando do escândalo do “mensalão” em 2005 e deram origem ao início de uma violenta campanha político-midiática contra Lula, o PT e o conjunto dos setores progressistas da sociedade brasileira. As eleições presidenciais de 2006 foram o teatro de operações de uma verdadeira ofensiva estratégica desencadeada pela direita neoliberal no sentido de retomar o controle da máquina pública, felizmente a ofensiva foi derrotada e criou as condições para um rearranjo político no governo Lula em seu segundo mandato.

Diante da radicalização política da direita neoliberal, os setores mais progressistas do PT conquistam um papel mais relevante na estrutura do governo federal, e o conservadorismo pragmático cede espaço a uma nova orientação mais clara em um sentido não-neoliberal – até mesmo anti-neoliberal – caracterizado como novo-desenvolvimentista. Esta nova orientação governamental acelera o processo de expansão e fortalecimento do poder público, impulsiona o desenvolvimento de uma política econômica mais propriamente keynesiana (em especial a partir da crise de 2008), e abre o campo para uma atividade mais à esquerda no tocante à política externa e à disputa político-ideológica na sociedade (através de organismos como o IPEA, por exemplo).

A adoção de uma lógica novo-desenvolvimentista na condução do segundo mandato fez o governo Lula atingir um grau de popularidade inédito na história do país, baseada em um efetivo crescimento econômico, redução da pobreza extrema e ampliação das oportunidades para grandes parcelas da população. É com base neste capital político que a candidatura Dilma chega como franca favorita a este pleito enfrentando, no entanto, uma ofensiva da direita neoliberal ainda mais agressiva do que em 2006, que chega mesmo às raias do golpismo.

Lamentavelmente, como assinalei anteriormente, o PSOL em sua maioria não conseguiu acompanhar analiticamente este processo e manteve, no geral, uma interpretação do governo Lula que, correta para o primeiro mandato, tornou-se obsoleta para interpretar este segundo mandato. A idéia de colocar um sinal de igual entre Lula e FHC e entre PT e PSDB descolou as análises e a política do PSOL da realidade brasileira atual, descolamento este que conduziu a escolha de Plínio de Arruda Sampaio como candidato à presidência da república. O que já parecia inadequado mostrou-se realmente catastrófico, a candidatura Plínio, baseada em um dogmatismo sectário e irresponsável, que chegou a fazer coro com a direita neoliberal contra a candidatura do PT, fez uma verdadeira caricatura grotesca do PSOL e do próprio projeto dos socialistas brasileiros para o país. Ainda não podemos constatar o quão devastadora foi sua candidatura para o futuro do PSOL.

Diante deste quadro, está claro para mim o quanto é inadequado fazer campanha para Plínio de Arruda Sampaio e, ao mesmo tempo, o quanto é importante apoiar a candidatura Dilma a presidência contra a ofensiva direitista tucana. O apoio a Dilma se dá fundamentalmente em função de alguns elementos centrais. Em primeiro lugar, entendo que a questão central que polariza estas eleições se refere ao Estado, sua expansão e fortalecimento, de um lado, ou sua redução e neutralização , por outro lado. Como não é possível que se imagine a ampliação dos direitos na sociedade sem uma expansão do Estado, isto conduz ao voto em Dilma. Em segundo lugar, ainda que o novo-desenvolvimentismo petista não seja um projeto de reforma profunda no tocante às estruturas econômico-sociais do país, representa um efetivo avanço frente ao neoliberalismo tucano e, isso também, conduz ao voto em Dilma. Em terceiro lugar, mas não menos importante, a orientação sul-sul da política externa petista conduz a uma ativa sustentação dos governos bolivarianos da América do Sul, pressuposto indispensável de qualquer avanço no sentido socialista nos tempos que correm, e isto também conduz ao voto em Dilma. Sendo assim, nestas eleições, o voto socialista deve ser o voto em Dilma porque infelizmente o PSOL não se capacitou a intervir seriamente no pleito com uma candidatura à altura da tarefa dos socialistas no país.

1 comentários:

Anônimo disse...

Serra representa o grupo político que governou o Brasil antes do Lula, com desempenho, sob qualquer critério, muito inferior ao do governo petista,
a comparação chega a ser enfadonha

Alguns dados comparativos dos governos FHC e Lula.

Geração de empregos:
FHC/Serra = 780 mil x Lula/Dilma = 12 milhões

Salário mínimo:
FHC/Serra = 64 dólares x Lula/Dilma = 290 dólares

Mobilidade social (brasileiros que deixaram a linha da pobreza):
FHC/Serra = 2 milhões x Lula/Dilma = 27 milhões

Risco Brasil:
FHC/Serra = 2.700 pontos x Lula/Dilma = 200 pontos

Dólar:
FHC/Serra = R$ 3,00 x Lula/Dilma = R$ 1,78

Reservas cambiais:
FHC/Serra = menos 185 bilhões de dólares x Lula/Dilma = mais 239 bilhões de dólares

Relação crédito/PIB:
FHC/Serra = 14% x Lula/Dilma = 34%

Inflação:
FHC/Serra =12,5% (2002) x Lula/Dilma = 4,7% (2009)

Produção de automóveis:
FHC/Serra = queda de 20% x Lula/Dilma = aumento de 30%

Taxa de juros:
FHC/Serra = 27% x Lula/Dilma = 10,75%


PORTANTO, Dilma(13, confirma).