quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de setembro

Hoje é 11 de setembro, uma data que certamente ficará para sempre na memória de todos aqueles homens e mulheres de bem que encaram a realidade de frente, prezando sempre, e em primeiro lugar, pelos elevados valores expressos na simples e poderosa noção de humanidade. Nunca mais será possível ignorar esta data que lembra uma das maiores catástrofes humanas que já aconteceu em nosso continente. Ficarão para sempre em nossas memórias os milhares de mortos, a destruição e a selvageria.
Foi em um dia 11 de setembro, anos atrás, que foram definitivamente estilhaçadas as ingênuas, mas generosas, ilusões a respeito da possibilidade de cultivar e fazer florescer a democracia e a liberdade em meio às trevas de um obscurantismo brutalmente violento. A otimista crença de que um povo orgulhoso de si próprio e de suas capacidades materiais, intelectuais e morais poderia desenvolver-se livremente, construindo sua sociedade com suas próprias mãos, com trabalho duro, no sentido da realização efetiva do ideal democrático, não pôde perdurar e ir além deste dia 11 de setembro, há alguns anos atrás.
Os terroristas, amantes da destruição e inimigos da liberdade, aqueles que elevam como seu maior ideal a submissão do mundo inteiro às suas próprias prerrogativas, crenças e, por assim dizer, interesses, estes terroristas deixariam bem claro, em um dia 11 de setembro, que a liberdade se encontrava seriamente ameaçada. Uma nação que se afirmava na liberdade e na democracia não poderia esperar que o terror não tramasse sua sórdida vingança, e ela veio, em um dia 11 de setembro, embebida em ódio, violência e devastação chocantes aos olhos de todo o mundo.
Há 35 anos, no Chile, em um dia 11 de setembro, o vicejante sonho de uma feliz e resplandecente democracia, verdadeira porque socialista, foi afogado em um banho de sangue dirigido pelo general Augusto Pinochet, de braços dados com a burguesia chilena e com o governo dos Estados Unidos da América, o maior terrorista de Estado da história. O povo chileno a partir do dia 11 de setembro de 1973 foi submetido a horrores inauditos: perseguições, torturas, massacres. O presidente Salvador Allende, maestro da sinfonia do grande sonho do caminho democrático ao socialismo foi bombardeado pela aviação e pelos tanques de guerra dentro do palácio presidencial e, honradamente, se tornou mais um entre milhares de homens e mulheres decentes, amantes da justiça, da liberdade e de democracia, que foram massacrados pelo terrorismo fascista naquele dia 11 de setembro.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Um importante marco


É com entusiasmo que saúdo e divulgo a iniciativa de promover um fórum democrático, público e permanente para a discussão, elaboração e reivindicação de políticas públicas para o município de Campos. Este pode ser o início de um processo no qual os setores mais esclarecidos e organizados da sociedade campista consigam superar o isolamento no qual se encontram e venham para a arena pública intervir de modo incisivo na política local.



Seminário: Política,Eleições e Soluções para Campos dos Goytacazes


Realização: Coordenação CISO/CCH;

Apoio: Reitoria da UENF-DR,

Direção do CCH, PPG em Soc. Pol., C.A.CISO;

Coordenação: Hamilton Garcia;

Organização&Divulgação: Coordenação CISO/CCH e ASCOM.


Objetivo: discutir a situação atual de Campos e propor políticas, visando o desenvolvimento local sustentável, a serem apresentadas aos eleitos em 2008.



_______________________________________________________________________________ 1ª Mesa (10/9, 4ªf), Dinâmica Política e Sociedade:sessão única (9h-12h)-> Adilson Sarmet (ex-Vice-Prefeito) [ASCOM+], Denise Terra (CEPECAM) [HG+], Fábio Siqueira (sindicalista) [HG+], Hamilton Garcia (UENF), Roberto Henriques (Vice-Prefeito) [HG+].



____________________________________________________________________________________ 2ª Mesa (18/9, 5ªf), Sociedade e Políticas Públicas


1ª sessão (9h-12h)-> Agricultura (Frederico Veiga [Cooplanta] [HG•] e Fábio Coelho [UENF] [HG•]), Controle Social (Roberto Moraes, CEFET) [HG+], Desenvolvimento (Conrado Aguiar [PMCG] [ASCOM•] e José Viana [UFF] [RB+]), Sustentabilidade Sócio-Econômica (Aílton Mota, UENF [HG•]).


2ª sessão (14h-18h)-> C&T (Almy Carvalho, UENF) [HG+], Controle Social (Luís Aguiar, FRC-CECOP) [HG+], Educação (Luciano D'Angelo, UCAM) [HG+], Sustentabilidade Ecológica (Arthur Soffiati, UFF) [HG+], Sustentabilidade Econômica (Geraldo Coutinho, FIRJAN [HG+]);


debatedores convidados-> Hélio Anomal (PT) [RB•], Graciete Ramos (PCB) [HG+], Odete Rocha (PCdoB) [RB+], Paulo Feijó (PSDB) [ASCOM•], Rosinha Garotinho (PMDB) [HG•].


obs: os nomes c/ • foram contatados, os c/ + foram confirmados e os c/ - não confirmaram.

domingo, 7 de setembro de 2008

A ressaca do porre neoliberal


Publicado há algumas semanas no Le Monde Diplomatique, o artigo abaixo do economista espanhol Ignacio Ramonet é extremamente interessante para revelar o que há de geral e o que há de específico na crise econômica mundial que começa a engolfar o conjunto da atividade econômica planetária.

Pela 1ª vez, mundo vê 3 crises ao mesmo tempo

Por mais que as autoridades se esforcem em minimizar a gravidade do momento, o certo é que nos encontramos diante de um sismo econômico de magnitude inédita, cujos efeitos sociais, que mal começaram a se fazer sentir, explodirão nos próximos meses com toda a brutalidade. A numerologia não é uma ciência exata e o pior não costuma ser previsto, mas 2009 pode muito bem se parecer com o nefasto ano de 1929...
Como temíamos, a crise financeira continua aprofundando-se. Aos descalabros de prestigiosos bancos norte-americanos, como o Bear Stearns, o Merrill lynch e o gigante Citigroup, somou-se o recente desastre do lehman Brothers, quarto maior banco de negócios, que anunciou, em 9 de junho, um prejuízo trimestral de 2,8 bilhões de dólares. Como foi a primeira perda desde o lançamento de suas ações na Bolsa, em 1994, o resultado teve efeito de um terremoto financeiro, nos já violentamente traumatizados EUA.
A cada dia difundem-se notícias sobre novas quebras. Até agora, as entidades mais afetadas admitem prejuízos de quase 330 bilhões de dólares, e o Fundo Monetário Internacional estima que, para escapar da catástrofe, o sistema necessitará de cerca de 950 bilhões de dólares (o equivalente à metade do PIB do Brasil).
A crise começou nos Estados unidos, em agosto de 2007, com a desconfiança nas hipotecas de má qualidade (subprime) e propagou-se por todo o mundo. Sua capacidade de se transformar e se espraiar por meio da contaminação de complexos mecanismos financeiros faz com que se assemelhe a uma epidemia fulminante, impossível de controlar. As instituições bancárias já não emprestam dinheiro entre si. Todas desconfiam da saúde financeira de suas rivais.
Apesar das injeções maciças de liquidez efetuadas pelos grandes bancos centrais, nunca se vira uma seca tão severa de dinheiro nos mercados. E agora o maior temor de alguns é uma crise sistêmica — ou seja, que o conjunto do sistema econômico mundial entre em colapso.
Da esfera financeira, o problema passou para o conjunto da atividade econômica. De um momento para outro, as economias dos países desenvolvidos sofreram um desaquecimento. A Europa encontra-se em franca desaceleração e os Estados Unidos estão à beira da recessão.
O setor imobiliário é onde melhor aparece a dureza desse ajuste. Durante o primeiro trimestre de 2008, o número de vendas de moradias na Espanha caiu 29%! Cerca de dois milhões de apartamentos e casas estão sem compradores. O preço das propriedades continua a desmoronar. O aumento dos juros hipotecários e os temores de uma recessão lançaram o setor numa espiral infernal, com ferozes efeitos em todas as frentes da imensa indústria da construção. Todas as empresas desses setores estão agora no olho do furacão. E assistem, impotentes, à destruição de dezenas de milhares de empregos.
Da crise financeira passamos à crise social. E políticas autoritárias voltaram a surgir. O Parlamento Europeu aprovou, em 18 de junho passado, a infame “diretiva de retorno”. Imediatamente, as autoridades espanholas declararam sua disposição em favorecer a saída da Espanha de um milhão de trabalhadores estrangeiros...
Em meio a essa situação de espanto, ocorre o terceiro choque do petróleo, com o preço do barril em torno de US$ 140. Um aumento irracional (há dez anos o barril custava menos de US$ 10) devido não apenas a uma demanda despropositada mas, especialmente, à ação de muitos especuladores, que apostam no aumento contínuo de um combustível em vias de extinção. Retirando-se da bolha imobiliária, que desinfla, os investidores alocam somas colossais em contratos para entrega futura de petróleo, o que pode levar o preço do barril a algo em torno de US$ 200.
Ou seja: está ocorrendo uma “financeirizacão” do petróleo, com conseqüências como formidáveis aumentos de preços da gasolina, em muitos países, e a ira de pescadores, caminhoneiros, agricultores, taxistas e todos os profissionais mais afetados. Em muitos casos, eles exigem de seus governos ajudas, subsídios ou reduções dos impostos, com grandes manifestações e enfrentamentos.
Como se todo esse contexto não fosse bastante sombrio, a crise alimentar agravou-se repentinamente e chega para nos lembrar que o espectro da fome continua ameaçando quase um bilhão de pessoas. Em cerca de 40 países, a carência de alimentos provocou levantes e revoltas populares. A reunião de cúpula da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), foi incapaz, em 5 de junho, em Roma, de chegar a um consenso para retomar a produção de alimentos no mundo. Aqui também os especuladores, fugindo do desastre financeiro, têm parte de responsabilidade — porque apostam num preço elevado das futuras colheitas. Até mesmo a agricultura está se “financeirizando”.
Este é o saldo deplorável de 25 anos de neoliberalismo: três venenosas crises entrelaçadas. Já está na hora de os cidadãos gritarem: “Basta!”.

Por uma segunda independência


Neste sete de setembro, qundo se faz mais imperioso que em qualquer outro momento do ano, a reafirmação da necessidade hitórica de uma segunda, e efetiva, independência do Brasil, publico a mensagem oficial do PSTU sobre a questão.



A covardia histórica da burguesia e a necessidade de uma segunda independência

Esta é a semana de comemoração da independência do país. Para muitos, a nacionalidade é a soma da língua, das fronteiras e da cultura. Quando falamos de soberania, no entanto, pode-se ver a distância que nos separa de uma verdadeira independência.As classes dominantes no Brasil sempre escolheram uma covardia histórica, nunca a opção do enfrentamento com os impérios dominantes no mundo. Nunca defenderam uma verdadeira soberania do país. Sempre escolheram meias medidas para preservar seus interesses, nunca qualquer sombra de ruptura.


É até simbólico que a “independência” do país em relação a Portugal seja representada por D. Pedro I, simplesmente o filho do rei português.

Na verdade, antes mesmo da “independência” o país já estava entre a dominação portuguesa decadente e a obediência aos interesses do imperialismo inglês que crescia. No capítulo seguinte, desde a crise econômica de 1929 até a Segunda Guerra Mundial, ocorreu a passagem da dominação inglesa para a norte-americana. Globalização aumenta dependência

As classes dominantes no Brasil foram se adequando até sumirem ou se transformarem em sócias menores do capital estrangeiro. A globalização como salto na internacionalização e centralização do capital aprofundou esse processo. A burguesia mais ligada ao mercado interno, que tinha ainda alguns conflitos com as multinacionais (como no governo João Goulart, deposto pelo golpe de 1964), deixou de existir.Hoje os grandes oligopólios multinacionais controlam o país. Estão presentes na grande indústria (automobilística, química, alimentícia) e nos serviços (telefonia, distribuição energia etc.) e estão invadindo setores antes controlados por empresas brasileiras (como a produção agrária, comércio etc.). Mesmo as “estatais” já estão em um grau avançado de privatização e desnacionalização. O mega-investidor George Soros comprou 22% das ações da Petrobras.


Governo Lula serve aos interesses das multinacionais

A relação do governo Lula com a dominação estrangeira não mudou a submissão. As expectativas de uma “independência do país pelo voto” naufragaram rapidamente. Como Lula não tem nenhuma pretensão de romper com as grandes empresas do país, repete a relação delas com a dominação estrangeira: integração total com o imperialismo.


Fazendo um balanço frio, pode-se dizer que Lula fez bem mais para o imperialismo norte-americano que FHC. Em primeiro lugar, manteve o mesmo plano econômico.Mas, no terreno internacional, Lula pôde fazer mais pela dominação imperialista que um governo da direita tradicional. Pôde atuar em crises políticas no continente americano como um “governo da esquerda”, em geral alinhado com o governo dos EUA. Foi assim nas crises políticas da Bolívia e da Venezuela. É assim com a ocupação militar do Haiti, a mando de George W. Bush.


Qual é a relação entre dominação estrangeira e miséria?

Muitos brasileiros não ligam o domínio do país por potências estrangeiras com a miséria em que vivem. Entendem que as grandes multinacionais aqui presentes cumprem um papel positivo por “trazerem investimentos”.

Mas as multinacionais não cumprem nenhuma “missão humanitária”. Investem o mínimo necessário para depois poderem enviar para seus países lucros altíssimos, muito superiores ao capital investido. Por exemplo, este ano a remessa de lucros está batendo recordes históricos – as multinacionais estão enviando capitais a suas matrizes para cobrir os enormes prejuízos com a crise internacional que está começando.


Muitos trabalhadores admiram o nível de vida dos países imperialistas como se seus habitantes fossem superiores. Mas existe uma relação direta entre a dominação que sofremos e a miséria dos trabalhadores. São os baixos salários pagos aqui que sustentam o nível de vida elevado nos países imperialistas.A crise na saúde e na educação no Brasil é parte de um plano econômico que dá altíssimos lucros para os bancos nacionais e estrangeiros. Por isso, quando você entrar em um hospital público em crise, lembre-se de que as verbas que deveriam estar sendo aplicadas aqui estão pagando os hospitais de primeira classe mostrados nos filmes americanos.


Quando os estudantes protestam contra a situação das escolas e universidades, devem saber que estamos financiando as universidades riquíssimas dos EUA e da Inglaterra.

A riqueza deles não é expressão de nenhuma superioridade. O que existe é a dominação da burguesia imperialista sobre os trabalhadores de seus países e dos nossos. Não existiria o “nível elevado de vida” dos países imperialistas sem a miséria de outros países como o Brasil.


O que impede nosso desenvolvimento é a dominação pelas multinacionais e a covarde, submissa e dependente burguesia nacional.


Grito dos Excluídos: por uma segunda independência

A celebração da independência do país para nós é um grito de luta. Por isso, não nos somamos aos atos hipócritas da burguesia e do governo que comemoram a independência e praticam a submissão. Nosso grito é um grito dos trabalhadores que querem lutar por uma segunda e real independência. Por isso nos somamos às manifestações do Grito dos Excluídos que ocorrerão em todo o país.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A saída é pela esquerda


Apesar de todos os escândalos de corrupção amplamente divulgados na imprensa, envolvendo os dois principais candidatos a prefeitura de Campos, e apesar da profunda indignação provocada por eles em amplos setores da população da cidade, a última pesquisa de opinião divulgada, relativa ao pleito municipal, indica que a velha e nefasta polarização entre as duas principais facções políticas dirigidas pelo lumpen-empresariado do município mantém-se firme, inabalada e, poderia dizer, renovada. Toda a turbulência provocada pelas intervenções do Ministério Público Federal e da Polícia Federal na política municipal não foi capaz de alterar o quadro da “hegemonia compósita” exercida pelas facções em questão sobre a população da cidade e, mais ainda, demonstrou que qualquer transformação efetiva, em um sentido progressista e democrático, na política campista será o resultado de um processo desenvolvido, fundamentalmente, em base local, ou não será.
É possível afirmar que a principal responsabilidade pela inexistência de qualquer horizonte visível de ruptura com o estado de coisas imposto à cidade pelo lumpen-empresariado local e suas facções políticas, recai sobre a tradicional “esquerda campista”, representada principalmente pelo PT e, em menor medida, pelo PC do B. O caráter ultra-pragmatista e, diria mesmo, zelosamente moderado e conservador, deste setor político na cidade o incapacitou para levar adiante a tarefa de se constituir em uma força política independente – ainda menos, em um força política independente, expressão dos interesses e necessidades das maiorias empobrecidas, da classe média e da juventude – o que resultou em sua transformação na “quinta roda” do carro da política municipal dirigida pelo lumpen-empresariado reacionário e corrupto local.
Campos, talvez mais do que o Rio de Janeiro, é uma cidade violentamente partida entre uma minoria com acesso aos bens e serviços básicos da vida civilizada e uma ampla maioria condenada a uma existência plena de carências materiais e culturais de toda espécie. O poder das facções políticas dominantes na cidade se baseia no corrupto apelo ao tipo de racionalidade desesperada e de degradação moral que se materializa no clientelismo, respectivamente, junto às massas populares e junto a setores amplos da classe média, acossados pela estagnação econômica do município.
Uma alternativa ao quadro político pavoroso que está consolidado na cidade só poderá se construir com o desenvolvimento de uma força política de esquerda que saiba ir além da academia, da burocracia sindical e do jornalismo (blogueiro, ou não), contribuindo com a organização das massas populares nos bairros e distritos da periferia, dos trabalhadores rurais, dos demais assalariados e dos estudantes. Somente nesta direção e com uma perspectiva política de defesa da independência de classe dos trabalhadores, sem improvisações de última hora, é que será possível desenvolver uma base de sustentação real para um movimento efetivamente progressista, democrático e popular, que combata a corrupção e o clientelismo, e conquiste, na luta (e no governo, ou não) o desenvolvimento econômico da cidade e a elevação das condições materiais e culturais do povo.

Os Nossos


Seguindo na linha das homenagens aos 70 anos de fundação da Quarta Internacional dos Trabalhadores, ou Partido Mundial da Revolução Socialista, divulgo abaixo o belíssimo texto publicado no jornal Opinião Socialista (órgão do PSTU) pelo historiador Valério Arcary. Boa leitura!


Os Nossos

O que os leitores do Opinião Socialista encontraram nos textos já publicados, e ainda poderão descobrir nos próximos artigos desta série a propósito do aniversário de 70 anos da Quarta Internacional, é uma história da luta política que transformou o trotskismo na única corrente internacional independente, tanto da social-democracia, quanto do estalinismo. Mas, é preciso dizer que, quando se trata da história da esquerda operária e popular, a defesa do marxismo revolucionário foi somente uma dimensão da batalha contra a exploração capitalista e as tiranias burocráticas.


Seria uma injustiça lembrar os debates que explicam a vigência do programa da Quarta Internacional, e esquecer aqueles que lutaram por ela. Não devemos esquecer que, na contra-corrente das ilusões majoritárias na esquerda, sustentando a defesa do programa que era a memória coletiva acumulada por várias gerações de lutadores, estavam militantes que entregaram suas vidas à causa do socialismo.


Trotsky foi acossado e difamado, implacavelmente, em vida, e caluniado, mesmo depois de assassinado. Assim como fizeram com Marx, que foi muitas vezes evocado, décadas depois de sua morte para diminuir os marxistas, Trotsky chegou a ser invocado para desqualificar os trotskistas. É verdade que eles nunca foram mais numerosos que umas poucas dezenas de milhares. Pareciam, no entanto, muito mais ameaçadores e influentes do que seu número poderia sugerir.


Eles estiveram na linha de frente dos comunistas contra a repressão de Chiang-Kai Chek na China em 1927, quando em muitos países já começavam a ser expulsos dos PC’s fiéis a Moscou. Combateram o nazismo na Alemanha com a mesma coragem com que afrontavam o estalinismo na União Soviética. Lutaram contra o fascismo na guerra civil espanhola de armas nas mãos, sem por isso ceder apoio político ao Governo de Frente Popular. Foram presos aos milhares durante os processos de Moscou, mas não hesitaram em se oferecer como voluntários para lutar no Exército Vermelho quando Hitler invadiu a União Soviética em 1941.


Estiveram nas trincheiras de Saigon no Vietnã ao final da Segunda Guerra Mundial, lutando contra o imperialismo francês e sendo perseguidos pelos estalinistas, e à frente da greve da Renault na França, lutando contra o governo de união nacional encabeçado por De Gaulle que contava com a participação de ministros do PC. Ajudaram a fazer marxista o vocabulário do movimento dos operários mineiros da Bolívia na revolução de 1952. Foram perseguidos pelo macartismo nos EUA nos anos cinqüenta, ao mesmo tempo em que resistiam nos campos de trabalho forçado de Vorkuta na Sibéria.


Lutaram contra o imperialismo na América Latina, sem por isso cederem às pressões nacionalistas-desenvolvimentistas que se expressaram através do peronismo na Argentina, do getulismo no Brasil e do aprismo no Peru. Estiveram na primeira linha da solidariedade com a Argélia, mas não calaram diante da repressão nas ruas de Budapeste em 1956. Fizeram de Cuba a sua bandeira, mas não traíram a esperança dos que cantavam a Internacional nas ruas de Praga quando os tanques enviados por Moscou invadiram a Tchecoslováquia em 1968.


A história encontrou os trotskistas nas barricadas do Quartier Latin de Paris, em Lisboa na revolução portuguesa, na luta contra as ditaduras latino-americanas enfrentando a mais feroz repressão no estádio nacional de Santiago do Chile e nas prisões argentinas e brasileiras. Eles estiveram na guerra contra Somoza na Nicarágua, na resistência ao apartheid na África do Sul, e nas greves de Gdansk na Polônia. Resistiram à restauração capitalista na ex-URSS no início dos anos noventa, e ajudaram a construir um novo internacionalismo impulsionando a campanha contra a invasão do Iraque.


Sua integridade foi posta à prova, impiedosamente, em todas as latitudes e longitudes. Os trotskistas divulgaram o marxismo em dezenas de idiomas. Estudaram e escreveram muito, mas não se deixaram reduzir a um círculo literário. Interviram nos sindicatos, mas não se embriagaram com as rotinas sindicalistas. Uniram seu destino ao movimento do proletariado, mas não diminuíram sua militância ao obreirismo. Espalharam sua mensagem à escala internacional.


Eles viajaram por toda parte, sacrificaram suas famílias, cruzaram continentes, mudaram de países, perderam empregos, falsificaram passaportes, trocaram de identidades, proletarizaram-se nas grandes indústrias, organizaram sindicatos, escreveram jornais, agitaram greves, impulsionaram a unificação das lutas, distribuíram boletins, fizeram campanhas, recolheram fundos, lideraram rebeliões, pegaram em armas, foram presos, e muitos pagaram com a vida a força de seu compromisso. Mantiveram o fio de continuidade do programa marxista revolucionário e a independência da Quarta Internacional.


Defender o marxismo sempre significou defender o programa da luta contra a propriedade privada, mas não é possível defender um programa sem construir um partido, um coletivo disciplinado em torno a um projeto estratégico. E a construção de um movimento político exige, em primeiro lugar, a disposição de preservar a qualquer preço a sua independência das pressões sociais hostis aos interesses do proletariado. Essa independência deve ser política e ideológica, mas, também, material. Destacaram-se pelo seu engajamento desinteressado e sua entrega despojada, uma prova de sua força moral. Viveram a mais grandiosa das aventuras contemporâneas: a luta pela revolução mundial.


Mas, a história lhes foi ingrata. O internacionalismo tinha sido derrotado, e os seus defensores tiveram o destino dos que não temem marchar contra a corrente: o isolamento. Depois que a social democracia e o estalinismo se transformaram nas correntes mais influentes do movimento operário durante a reconstrução capitalista do chamado boom do pós-guerra, a divisão que se instalou no movimento socialista foi fatal para a causa internacionalista e revolucionária. As lutas no Leste, no Ocidente e no Sul do planeta se desarticularam, e deram as costas umas para as outras. O internacionalismo se subordinou aos interesses diplomáticos de coexistência pacífica de Moscou, Belgrado, Tirana, Pequim, e Havana, e se transfigurou em nacionalismo dos Estados auto- proclamados “socialistas”, ou seja, em defesa dos interesses das burocracias que parasitavam as conquistas econômico-sociais das revoluções anti-capitalistas.


No Ocidente, a maioria dos que lutavam contra o capitalismo deram as costas para os que lutavam contra as ditaduras burocráticas na URSS e no Leste Europeu. Poucos foram os que, na esquerda, se levantaram em Paris, Roma ou Londres para denunciar a repressão na Hungria em 1956, ou mesmo em Praga em 1968. No Leste e na URSS, depois da destruição da Primavera de Praga, e pior ainda depois da derrota da revolução polonesa de 1981, diminuía a influência do marxismo entre os que resistiam às ditaduras burocráticas. Os trotskistas ficaram politicamente isolados.


Enquanto Internacional, a Quarta deixou de existir nos anos cinqüenta. A reunificação parcial de 1963 permitiu um reagrupamento que se demonstrou pouco sólido e que foi destruído no final dos setenta. Preservaram-se algumas articulações internacionais, entre as quais a mais dinâmica embora, predominantemente, latino-americana, foi a LIT. Durante os anos noventa a LIT sofreu uma crise importante, se recuperou, e hoje é a ponta de lança para a reconstrução da IV Internacional.


Prisioneiros na marginalidade dos grandes fluxos de opinião do movimento socialista, e submetidos às terríveis pressões dos grandes aparelhos social-democratas, nacionalistas e, sobretudo, do estalinismo, sofreram as seqüelas de uma corrente que soube preservar sua independência, porém, não superou sua condição minoritária. Dividiram-se, dramaticamente, em várias tendências, cedendo às pressões políticas nacionais mais significativas em cada país.


O nacional-trotskismo, ou seja, a ideologização da possibilidade de construção de uma organização revolucionária dentro de fronteiras nacionais – mesmo quando um “partido-mãe” estava associado a pequenos círculos que mimetizavam sua experiência - num mundo em que a contra-revolução foi se globalizando, foi, em maior ou menor medida, o destino trágico das organizações trotskistas mais fortes.Descobriram-se na mais severa solidão revolucionária. Surgiram reflexos inflexíveis “instintivos” próprios de uma fraternidade de abnegados. Ao longo dos últimos quinze anos, depois da restauração capitalista na URSS, não permaneceram isentos às vicissitudes da imensa confusão ideológica e adaptação política que atingiu o conjunto da esquerda. Não obstante, deixaram duas heranças de valor incalculável.


Os trotskistas foram politicamente derrotados, mas intelectualmente vitoriosos. A obra de Leon Trotsky e dos que desenvolveram o marxismo a partir de suas premissas foi a que melhor respondeu aos três maiores desafios teóricos colocados pelo século XX: uma interpretação sobre a natureza da sociedade soviética depois dos anos trinta, uma interpretação para as revoluções sociais dos países coloniais e semi-coloniais, e uma interpretação para o processo de restauração do capitalismo.


A segunda herança foi a inspiração militante: marcharam contra a corrente, enquanto o nome do marxismo era conspurcado pelos crimes da social-democracia e do estalinismo, defendendo uma bandeira sem manchas. Deixaram um exemplo pela sua coragem, perseverança e integridade moral. Defenderam, sozinhos, a tradição internacionalista do marxismo quando ela foi entregue nas suas mãos. Honraram a causa mais elevada do nosso tempo. Merecem ser lembrados. O que se encontrará nas páginas deste jornal é um tributo às idéias pelas quais lutaram

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

70 Anos da IV Internacional


Nesta semana em que se comemoram os 70 anos da IV Internacional, fundada por Lev Trotsky, todos os que, como eu, mantém-se partidários do programa da revolução permanente e do socialismo revolucionário prestamos nossa homenagem a um futuro digno da humanidade. Abaixo segue o texto publicado no portal do PSTU.

Vitória na derrota: eles morreram para que a IV Internacional continuasse viva A fundação da IV Internacional completa 70 anos nesta semana. Por isso, publicamos um artigo que homenageia aqueles que tombaram pela IV e seguem a luta por sua reconstrução


Martín Hernandezda Direção da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI) e da redação da revista Marxismo Vivo


No dia 3 de setembro de 1938, na França, se realizou a conferência de fundação da IV Internacional. Trotsky foi questionado por propor a fundação de uma nova internacional, já que esta, segundo seus críticos, só poderia surgir como produto de grandes acontecimentos.Sobre esse tema, no Programa de Transição, votado na conferência, Trotsky comenta: “a IV Internacional já surgiu de grandes acontecimentos: as maiores derrotas do proletariado em toda a história (…). Se suas fileiras não são numerosas é porque ainda é jovem. Por enquanto, há principalmente quadros, mas esses quadros são as garantias do futuro. Não existe no planeta uma só corrente revolucionária digna desse nome. Se nossa Internacional é débil numericamente, é forte por sua doutrina, por seu programa, sua tradição e a têmpera incomparável de seus quadros.”Trotsky, ao fundar a IV Internacional, queria criar um fio de continuidade com a tradição marxista que tinha se expressado na III Internacional, que neste momento estava completamente degenerada pelo stalinismo.

Mas Trotsky, ao construir a IV Internacional, não desejava somente preservar o programa marxista. Esperava que a IV Internacional, como produto da Segunda Guerra Mundial, se transformasse em uma organização de massas. Mas os resultados foram outros.

Com a derrota do nazismo, o stalinismo saiu extremamente fortalecido da Segunda Guerra, o que empurrou o trotskismo para a marginalidade. A IV Internacional não conseguiu resistir à pressão do aparato stalinista. Um grande número de seus integrantes foi assassinado pelo fascismo e, fundamentalmente, pelo stalinismo, entre eles o próprio Trotsky.

O stalinismo, roubando as conquistas da Revolução de Outubro e fortalecido pela derrota do fascismo, se transformou em um muro difícil de derrubar. A IV Internacional continuou como uma pequena organização e no seu interior surgiu uma corrente revisionista que, diante da impossibilidade de derrotar o stalinismo, capitulou a este. Foi o caso do chamado “pablismo”.

Este desvio levou a uma divisão da IV e depois a sua destruição. Mas, no interior da Internacional, em diversos momentos existiram correntes que resistiram às capitulações. O PSTU e as organizações anteriores no Brasil sempre fizeram parte de uma dessas correntes, a mais conseqüente, encabeçada pelo dirigente argentino Nahuel Moreno. Essa batalha, sem dúvida, conseguiu preservar nos marcos do trotskismo um importe número de organizações e de militantes que hoje estão na LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores). Mas não conseguiu impedir que a maioria do trotskismo se espalhasse e a destruição da IV Internacional.

Na prova da história

Se observarmos os objetivos de Trotsky com a construção da IV há 70 anos e vermos os resultados na organização, temos que dizer que seu projeto foi derrotado. Mas, se analisarmos o que ocorreu ao longo desses anos com o programa do trotskismo, o balanço que devemos fazer é outro. O programa da IV foi o único que passou pela prova dos fatos. Desse modo, podemos dizer que foi uma vitória na derrota. Há 70 anos a IV Internacional dizia que a teoria do “socialismo em um só país” era uma utopia reacionária. Que só com a revolução mundial se poderia chegar ao socialismo. Mais ainda: dizia que, se a burocracia continuasse governando a União Soviética (URSS), a volta do capitalismo seria inevitável. Os stalinistas tentam fugir dessas opiniões. Para eles, o crescimento da URSS foi a prova de que o “socialismo em um só país” era possível. Dessa forma, no lugar de revolução mundial, propunham a “coexistência pacífica com o imperialismo”.

Ambos os programas, o do stalinismo e o do trotskismo, foram confrontados com a realidade e agora, 70 anos depois da fundação da IV, é necessário fazer um balanço. Na URSS e no resto dos Estados operários, longe de chegar ao socialismo, o capitalismo foi restaurado. À frente da restauração esteve a própria burocracia stalinista. Mas desta vez o stalinismo pagou caro por sua traição: as massas derrubaram suas ditaduras restauracionistas na maioria dos ex–Estados operários. Há 70 anos as propostas da IV Internacional eram muito pouco ouvidas. Já as propostas do stalinismo tinham uma audiência de massas entre trabalhadores, estudantes, camponeses e intelectuais. Trotsky era considerado um “demônio”, enquanto Stalin era chamado de “guia genial dos povos”. Agora, passados 70 anos, a palavra “stalinismo” é usada como um insulto, enquanto a figura de Trotsky e suas elaborações são redescobertas por milhares de ativistas que buscam o caminho da revolução. Dificilmente existe em nível mundial alguma organização revolucionária que não adote total ou parcialmente (consciente ou inconscientemente) o programa da IV Internacional. Sem dúvida, esta é uma contradição do atual momento:enquanto o programa da IV continua vivo, ela, como organização, continua destruída. As novas gerações de revolucionários estão diante de um desafio histórico, de vencer essa contradição da única forma possível: reconstruindo a IV Internacional com base em seu programa de fundação, atualizado em função da restauração do capitalismo e da destruição do aparato stalinista. O programa da IV Internacional continua vivo e hoje é assumido por milhares e milhares de novos combatentes. Mas um programa é muito mais do que uma soma de papéis. Um programa revolucionário só ganha esse caráter quando é colocado na luta de classes. O programa da IV continua vivo porque foi testado pela realidade. Milhares de militantes trotskistas, a partir de 1923, mantiveram vivo esse programa. Por isso, um grande número deles teve que suportar exílios, prisões e a tortura do capitalismo e do stalinismo. Uma porcentagem altíssima deles pagou com sua própria vida por essa teimosa e bela ousadia. Stalin queria acabar na raiz com a tradição bolchevique. Por isso, sua obsessão em eliminar Trotsky, assassinado por um agente stalinista em 20 de agosto de 1940. Mas Stalin não se conformou com isso. Anos antes, havia assassinado a maior parte dos familiares de Trotsky, como seu filho León Sedov, seus netos Ljulik, Volina e Liulika, seu genro Platon Volkov, sua irmã, Olga Kameneva e sua primeira mulher, Alexandra, mãe de suas duas filhas, uma das quais acabou se suicidando. É impossível saber quantos trotskistas morreram na ex-URSS. Sérios investigadores como Pierre Broué conseguiram alguns dados importantes. Só no campo de concentração de Kolima havia 6 mil prisioneiros considerados trotskistas. Em 1937, depois de fazerem uma greve de fome, todos foram executados. Muitos militantes e dirigentes da IV Internacional morreram lutando contra o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Entre eles se destacam figuras como a de Abraham León, polonês, autor do principal estudo marxista sobre a questão judaica e membro do Secretariado Europeu da IV Internacional, morto em 1944 no campo de concentração de Auschwitz. León Seloil, belga, delegado ao congresso de fundação da IV, morto no campo de concentração de Neuengamme. Pautelis Pooliopulos, delegado do PC grego ao quinto congresso da Terceira Internacional, expulso do partido por ser trotskista e fuzilado pelo exército italiano em 1941. Muitos dirigentes trotskistas morreram nas mãos do stalinismo fora da URSS. Foi o caso do theco-eslovaco Erwin Wolf, ex-secretário de Trotsky, assassinado durante a Guerra Civil Espanhola. Rodolfo Klement, trotskista alemão, responsável pela organização do congresso de fundação da IV Internacional, seqüestrado e assassinado pouco tempo antes da sua realização. Ignacio Reiss, polonês, herói da guerra civil russa e um dos principais dirigentes dos serviços especiais soviéticos. Reiss rompeu com o stalinismo, devolveu suas condecorações e declarou: “Me uno a Trotsky e à IV Internacional”. Poucas semanas depois, foi assassinado. Pedro Tresso, delegado do PC italiano aos congressos da Terceira Internacional e delegado ao congresso de fundação da IV, foi fuzilado. Tha-Thu-Thau, fundador do importante movimento trotskista vietnamita, também foi assassinado pelo stalinismo.Nossa corrente internacional, liderada por Moreno, lutou durante muitos anos, em condições muito difíceis, para levar adiante o programa da IV. Dessa forma, também contribuiu com sua cota de sangue. Entre os anos 1974 e 1975, na Argentina, 16 militantes do PST (Partido Socialista dos Trabalhadores), a maioria trabalhadores, foram assassinados por comandos paramilitares do governo peronista. Entre eles estava Cesar Robles, um dos principais dirigente do partido. Na Espanha, no dia 1º de fevereiro de 1980, foi seqüestrada e assassinada Yolanda González Martín, militante do PST desse país. Filha de um operário metalúrgico, ela tinha apenas 19 anos. Era estudante e trabalhava como empregada doméstica. Yolanda foi dirigente de uma importante mobilização estudantil que havia levado às ruas de Madri mais de 50 mil estudantes. Em El Salvador, em abril de 1980, foi assassinado por um comando de ultradireita Francisco Choto Rodríguez, militante do PST.

Novamente na Argentina, entre os anos 1976 e 1982, a ditadura militar assassinou 83 militantes do PST. Entre eles estava Arturo Apazza, um importante dirigente metalúrgico, e Eduardo Villabrille, jovem operário metalúrgico que havia sido o principal dirigente da juventude do partido. O PSTU brasileiro, como não podia deixar de ser, dado seu compromisso com o programa trotskista, também sofreu com a repressão. Tulio Quintiliano, integrante do grupo Ponto de Partida, que deu origem a nossa corrente brasileira, foi assassinado pela ditadura chilena em 1973. José Luis e Rosa Sundermann foram assassinados em 1994, um dia depois da fundação do PSTU. Gildo Rocha, também militante do PSTU, morreu como o restante dos trotskistas: combatendo o capitalismo e a burocracia. Foi assassinado durante uma greve em Brasília em 6 de outubro de 2000. A lista de trotskistas assassinados pelo stalinismo e pela burguesia, assim como a história de cada um deles, preencheriam centenas de páginas. As biografias, sem dúvida, seriam diferentes, mas todos tiveram em comum a luta e a morte para que a IV Internacional continuasse viva. Eles não podem ser esquecidos pelas novas gerações que se dispõem a reconstruir a IV. Eles inspiram nossa luta.

sábado, 30 de agosto de 2008

Viva o botafoguismo


Normalmente eu evito tratar de uma das minhas maiores paixões no espaço deste blog, a saber: o Botafogo de Futebol e Regatas. Entendo que assim como a religião (que, no caso, eu não possuo) o clube de futebol é algo que pertence a esfera do privado e, sendo assim, costumo voltar minhas atenções neste espaço aos debates eminentemente públicos da nossa realidade. No entanto, a avassaladora fase pela qual vem passando o Fogão e o sepulcral silêncio do flamenguismo no espaço dos blogs co-irmãos da cidade, retiraram-me momentaneamente da minha posição natural quanto ao tema. Na verdade, o que venho comentar é o interessantíssimo blog "Botaguismo" (http://www.botafoguismo.blogspot.com/) criado por um pessoal que, como eu, é apaixonado pelo Botafogo e cultua a identidade botafoguense como uma identidade necessariamente progressista e de esquerda que, na verdade, é o espírito clássico dos botafoguenses e que vem sendo maculado por uma certa onda de novos botafoguenses. Vale a pena conferir e viva o Fogão!

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Na trincheira da memória


A tarefa de analisar a realidade social mundial e brasileira, principalmente, se impõe a mim como dever de ofício e, dentro do contexto atual, a maior parte dos fenômenos que se manifestam expressam o poderio da hegemonia reacionária do grande capital sobre a humanidade, ainda questionada de modo incipiente nesta etapa histórica de refluxo das lutas em nome do projeto progressista do socialismo. No entanto, seja no mundo, seja no Brasil, despontam sinais que mostram que a dignidade humana e seus valiosos partidários não estão dispostos a desaparecer do cenário histórico nem capitular diante das forças sociais anti-humana aparentemente triunfantes.
Em nosso país, por exemplo, vem ganhando corpo nas últimas semanas a iniciativa de resgatar um debate absolutamente fundamental para a definição do sentido e das formas que deve assumir o desenvolvimento futuro da sociedade brasileira, faço referência aqui a reivindicação relativa à punição dos torturadores que atuaram durante o regime ditatorial empresarial-militar instaurado a partir de 1964.
Desde o início do processo de abertura “lenta, segura e gradual” do regime ditatorial, tal como foi imposto pelas forças políticas dominantes e aceito pelas forças de oposição, quando foi assinada a lei de anistia - com seu caráter “amplo, geral e irrestrito” - a sociedade brasileira não havia conseguido acumular capacidade política para colocar de volta no debate público – tal como fizeram todos os nossos vizinhos da América do Sul que passaram pelas traumáticas experiências ditatoriais – a responsabilização jurídica e penal daqueles que cometeram crimes contra a humanidade a serviço do Estado.
A ousada luta das mais de 100 organizações de ex-perseguidos políticos e familiares que existem hoje no Brasil e a valiosa iniciativa do Ministério Público Federal no sentido de processar os ex-agentes do DOI-CODI de São Paulo, estão encontrando, a cada dia que passa, uma adesão maior na sociedade civil. Hoje, já é possível afirmar que existe uma poderosa corrente de opinião organizada que está pressionando pelo processamento e punição dos torturadores da ditadura que não poderiam, sob nenhum ângulo jurídico sério, haver encontrado refúgio na lei de anistia. A agressividade dos setores reacionários da sociedade que apelam para o “esquecimento do passado” mostra bem o tipo de “transição democrática” que tivemos no Brasil. Daqui, sigo na trincheira da memória, pois rever nosso passado é um poderoso meio para abrir horizontes no futuro.

Lulismo ataca o ANDES-SN


Segue abaixo importante denúncia, publicada no portal eletrônico do PSTU (http://www.pstu.org.br/), de uma execrável tentativa de manipulação governista da luta social. A luta da CUT governista contra o combativo sindicato nacional dos professores universitário (Andes-SN) é uma expressão clara do papel nefasto do governismo no interior do campo das organizações populares e dos trabalhadores.


CUT tenta criar novo sindicato para frear o combativo Andes

No último dia 20, o jornal carioca O Globo publicou uma nota anunciando a fundação de um novo sindicato nacional de professores universitários. A iniciativa teria sido da CUT, tendo em vista, segundo o jornal, que os docentes estariam “descontentes com a atuação do sindicato nacional da categoria, a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes)”. A assembléia de fundação dessa nova entidade aconteceria na própria sede da CUT.

Esse é mais um ataque da CUT e dos governistas contra aqueles que seguem lutando, que não se venderam ao governo Lula. Faz parte de um pacote de arbitrariedades contra a livre organização sindical.


Um histórico de lutas contra o governo Lula


O Andes-SN desfiliou-se da CUT em 2004, em assembléia legitima e representativa da categoria. O sindicato nunca se rendeu aos ataques do governo Lula. Esteve à frente das principais lutas, como a mobilização contra a reforma da Previdência, em 2003, que se chocou diretamente contra o governo federal.

Como parte do funcionalismo federal, é uma categoria que sofre cotidianamente com a defasagem salarial imposta por Lula e com as inúmeras tentativas de retirada de direitos. Em momento algum, a entidade se vendeu. Pelo contrário, quando a CUT já não mais defendeu os interesses dos trabalhadores, rompeu com essa central e buscou uma alternativa de luta na Conlutas.

Essa prática da CUT não é novidade. Em São José dos Campos (SP), a CUT criou arbitrariamente o Sindaeroespacial, um sindicato fantasma para representar os trabalhadores da Embraer, mas que não representa ninguém. O sindicato legítimo da categoria é o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que se opõe à CUT e ao governo e, por isso, causa tanto incômodo.

Abaixo, publicamos a nota de esclarecimento do Andes sobre o ocorrido.


Nota de esclarecimento da diretoria do ANDES-SN sobre matéria veiculada no O Globo cuja abordagem é a criação de uma nova entidade


A propósito da matéria veiculada no jornal O Globo, edição do dia 20/08/08, intitulada “CUT fará assembléia para criar nova entidade em substituição à Andes”, vimos esclarecer a categoria e a sociedade em geral o seguinte:


1) O ANDES-SN é o legítimo representante dos docentes das Instituições de Ensino Superior no país. Mesmo ainda quando Associação, a Andes teve importante papel no processo de discussão política e de redemocratização do país durante a década de 1980. A partir da Constituição Federal de 1988, com a abertura política vivenciada pela sociedade brasileira, a categoria docente decidiu transformar a Associação em Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior do Brasil, formalmente registrado, reconhecido pelos sucessivos governos e pela sociedade brasileira, tendo sua representatividade legalmente reconhecida inclusive pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, sua legitimidade se expressa pelo reconhecimento de sua representação profissional e de sua contribuição com a produção crítica e defesa incondicional da Educação Pública, Gratuita, Laica e de Qualidade socialmente referenciada em todos os níveis.


2) Desde sua criação, mesmo ainda quando Associação, o ANDES-SN sempre se pautou pelos princípios da democracia em sua forma de funcionamento, com estrutura organizacional pela base, e da autonomia em relação ao governo, aos partidos políticos e às administrações universitárias. Democracia e autonomia têm sido princípios estatutários caros e diferenciais na nossa atuação política, e nunca nos filiamos nem nos deixamos pautar por orientações político-partidárias de qualquer bandeira. Assim, a referida matéria d’O Globo, ao afirmar que o ANDES-SN é vinculado a partidos de oposição ao governo, não expressa a verdade histórica e confunde a opinião pública, implantando nela uma leitura politicamente falsa e equivocada.


3) A propósito da iniciativa da CUT/Proifes quanto à criação de outro sindicato na mesma base de atuação do ANDES-SN, entendemos tratar-se de um processo cujas motivações políticas, além de não refletirem o movimento nem os interesses da ampla maioria das bases do nosso Sindicato, sugerem a conseqüente subordinação sindical aos interesses da CUT e de setores do governo, que vêem na domesticação e controle dos movimentos sociais e sindicais uma estratégia fundamental de controle político que favorece o projeto de governo e tem por objetivo enfraquecer a resistência dos trabalhadores em relação às propostas de reformas sindical e trabalhista.


4) Diferentemente do que afirma a referida matéria jornalística, o presidente do ANDES-SN é o Prof. Dr. Ciro Teixeira Correia, da USP, e não o Prof. Dr. José Vitório Zago, da UNICAMP, este o 1º tesoureiro do Sindicato.


5) Temos convicção de que a categoria docente, ciente gravidade do ataque e das implicações que sofrerá, saberá dar a resposta política necessária à tal iniciativa oportunista e divisionista, sobretudo no contexto de precarização das condições de trabalho, de afronta e ataques à atuação do nosso Sindicato e de diversos movimentos sociais no país. Por estas razões, reiteramos a conclamação a toda a categoria à defendermos o ANDES-Sindicato Nacional e o projeto de Educação e de Universidade democrática e historicamente construído ao longo dos quase 30 anos de nossa existência.


Brasília-DF, em 20/08/09


Diretoria do ANDES-SN

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Uma reveladora ocultação


O mundo inteiro se delicia com a beleza e com a grandiosidade dos jogos olímpicos de Pequim, ou Beijing conforme o caso, e ainda estão na memória de milhões as imagens, simultaneamente poderosas e delicadas, proporcionadas pelo governo chinês ao mundo na cerimônia de abertura destes jogos, cerimônia esta que foi considerada pela maioria dos analistas como a mais deslumbrante já realizada até agora.
A espetacular grandiosidade e beleza da cerimônia de abertura dos jogos foi o ponto culminante do processo de remodelagem de Beijing resultante de uma frenética atividade dirigida pelo governo chinês ao longo dos últimos anos, na qual buscou-se não apenas impressionar os olhos do mundo com belas imagens, mas também apresentar ao mundo uma China moderna, pujante economicamente, poderosa politicamente e culturalmente civilizada e humanista.
A belíssima cerimônia de abertura das Olimpíadas foi objeto de atenção, comentários e análises nas mais diversas partes do mundo. Os organizadores da cerimônia se propuseram a expressar nela o esplendor da história e da cultura chinesas. É obvio que em um evento de curta duração como foi esta cerimônia de abertura, são selecionados certos aspectos a serem apresentados e outros são descartados, porém, chama muito a atenção o fato de que o governo do partido comunista chinês tenha resolvido ignorar, justamente, o maior e mais importante episódio da história chinesa no século XX: a grande revolução de 1949.
Esta reveladora ocultação na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Beijing está tão relacionada com a necessidade do governo chinês de apresentar ao mundo um país “normal”, ou seja, capitalista, como também com uma necessidade política interna deste mesmo governo: a glorificação do conformismo social. Com a restauração capitalista habilmente conciliada com a manutenção da ditadura dos burocratas, neo-empresários e mega-magnatas do “renovado” partido comunista, a China tornou-se o paraíso das multinacionais que lá produzem para exportar ao mundo inteiro pagando alguns dos mais baixos salários do planeta, garantidos pelo controle totalitário do governo sobre a força de trabalho. No contexto do aprofundamento das grotescas desigualdades sociais, explodem por todo o país rebeliões populares de caráter étnico, nacional, fundiário e especificamente trabalhista, que passam a ser sufocadas não apenas pela força das baionetas mas também pela nova ideologia oficial do conformismo neo-confucionista.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O reverso da moeda


Nesta semana o Ipea divulgou uma série de números relativos à evolução da renda no Brasil que foram amplamente comemorados pelo governo federal e pelas grandes corporações da mídia empresarial. Segundo os resultados da pesquisa divulgada em relação à renda da População Economicamente Ativa do país, baseada no rendimento domiciliar total, mais da metade dos brasileiros estariam enquadrados hoje na classe média, o que levou alguns veículos midiáticos a comparar a atual situação do Brasil com aquela de países desenvolvidos como os Estados Unidos, por exemplo.
Além das críticas referentes à metodologia utilizada na pesquisa (críticas que se referem ao fato de que ao basear os números no rendimento domiciliar total, a pesquisa se torna incapaz de compreender as diferenças concretas que se manifestam entre, por exemplo, famílias com números diferentes de integrantes), é possível levantar, da mesma maneira, alguns questionamentos a respeito do significado dos números divulgados quando postos lado a lado com os números divulgados na semana passada pelo DIEESE relativos a elevação dos preços da cesta básica.
De acordo com o Ipea, os 51,8% de famílias brasileiras com renda domiciliar total entre R$ 1064 e R$ 4591 constituiriam a classe média, e, em função deste números, teríamos suficientes razões para comemorar o ingresso do Brasil no campo dos países econômica e socialmente mais prósperos, no entanto, se avaliados paralelamente aos números divulgados pelo DIEESE, é possível tirar conclusões bem menos animadoras em relação à situação econômica e social do país. A elevação do preço dos alimentos, e conseqüentemente do custo de vida, levou o DIEESE a divulgar um novo valor para o salário mínimo constitucional: R$ 2178,30. O salário mínimo do DIEESE é o valor, calculado pela instituição, que o salário mínimo deveria possuir para que fosse capaz de cumprir o papel que lhe é imposto pela Constituição, ou seja, garantir para um trabalhador e sua família o suficiente para cobrir seus gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Sendo assim, de acordo com o DIEESE, as nossas tão celebradas famílias de classe média do Ipea possuem renda domiciliar total que varia de meio a dois salários mínimos constitucionais. Ou ainda, quase 85% das famílias brasileiras possuem renda domiciliar total inferior ou aproximadamente igual ao que deveriam ser dois salários mínimos de acordo com a imposição constitucional. Ainda resta muito a comemorar?

Esmagar o ovo da serpente fascista!


Segue abaixo texto de convocação para o ato nacional contra o gangsterismo sindical e a criminalização das lutas dos trabalhadores. Como já diziam os milicianos espanhóis nos anos 30: Fascistas, no pasarán! Lembremos que o preço de manutenção de nossas parcas liberdades é, como sabem mesmo os liberais, a eterna vigilância e prontidão.

Dia 20 de agosto - Ato Nacional em São José dos Campos - contra o gangsterismo sindical e a criminalização das lutas e organizações dos trabalhadores


Em mais um episódio lamentável de gangsterismo sindical patrocinado pela CUT, um trabalhador foi ferido à bala quando a assembléia em que participava foi invadida por jagunços armados.


No dia 01 de agosto a sede da CONLUTAS em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, sofreu um atentado a tiros. Gangsteres e bandidos armados de escopetas, rojões e revolveres invadiram a sede quando os trabalhadores da Construção Civil da Revap preparavam sua assembléia para fundar uma ASSOCIAÇÃO DE AJUDA MUTUA E SOLIDARIEDADE DOS TRABALHADORES.

A sede da CONLUTAS fica em uma área pertencente ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região. Cerca de 30 homens armados, alguns encapuzados, desceram de um ônibus vindo de outra cidade e invadiram o local com gritos, ameaças e tiros. Houve quebra-quebra de instalações da sede, móveis, três carros do sindicato e do caminhão de som, que estavam estacionados no local. Um trabalhador foi baleado na cabeça e tiros foram disparados contra o coordenador da CONLUTAS.

Durante a invasão nada de valor foi roubado. Apenas documentos relativos à fundação da Associação foram levados. Tais como a ata e a lista de presença da assembléia.Os fatos são de extrema gravidade. Este é o maior ataque a uma organização do movimento operário desde a época da Ditadura Militar. Atos como estes relembram o fascismo italiano, onde a violência e o bandidismo eram utilizados contra os trabalhadores.

As características da ação e o interesse dos bandidos em levar do local unicamente a ata da assembléia bem como a lista de assinaturas não deixa dúvidas sobre os beneficiados por essa ação criminosa. Trata-se da CUT (Central à qual é ligado tanto o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de São José dos Campos, como a Federação Estadual à qual este sindicato é filiado). Estamos, certamente, frente a mais um ato de banditismo sindical praticado por esta Central Sindical, como o que vimos recentemente em Diadema/SP, contra trabalhadores do transporte rodoviário.

É mais um passo destes sindicalistas que viraram as costas para os direitos dos trabalhadores para defenderem o governo e os patrões. É a serviço das empreiteiras da ECOVAP e da própria Petrobrás que estes sindicalistas atuam ao tentar impedir a organização independente dos trabalhadores da Construção Civil. Da mesma forma que tentam dividir a categoria dos Metalúrgicos em São José, criando, em parceria com a própria empresa, um sindicato paralelo dos trabalhadores da Embraer. E não medem mais esforços, perderam todos os pruridos para fazer esta defesa chegando ao ponto que vimos no ataque em São José dos Campos.

É o mesmo interesse em defender as políticas econômicas do governo Lula que leva esta Central a patrocinar a convocação de uma assembléia nacional de professores das universidades federais para tentar fundar um sindicato na base do ANDES - Sindicato Nacional. Querem ajudar o governo a quebrar a resistência dos trabalhadores do serviço público contra suas políticas neoliberais.

Estes episódios, por outro lado, se inscrevem nos marcos da intensificação da criminalização dos trabalhadores, suas lutas e suas organizações. O Interdito Proibitório virou moda e ameaça de forma generalizada os direitos sindicais dos trabalhadores. As demissões e perseguições contra ativistas, dirigentes e movimentos é cada vez maior e mais violenta. A tentativa do Ministério público do RS de criminalizar e ilegalizar o MST é apenas o exemplo mais sombrio com que convivemos neste momento.

A CONLUTAS e os trabalhadores terceirizados da REVAP exigem do Governo Lula, da Polícia Federal, do Governo Serra e da Policia do Estado que investiguem, identifiquem os bandidos - e seus mandantes - que atacaram a assembléia dos trabalhadores e assegurem punição exemplar para todos eles. Queremos que seja esclarecido o papel da CUT (Sindicato da Construção Civil e Federação Estadual) neste ato lamentável.

E também que seja investigada a participação das empreiteiras da ECOVAP e da Petrobrás neste episódio. O direito de livre organização dos trabalhadores e das entidades sindicais são garantidos pela Constituição, e é um dever do Estado garanti-los.

O ataque à sede da CONLUTAS é um ataque ao conjunto das organizações independentes do movimento operário. Uma agressão a todos que repudiam o uso da violência física para dirimir diferenças políticas.

Assim estamos conclamando a todas as entidades sindicais, movimentos populares, entidades democráticas, a somarem-se nesta luta em defesa do direito a livre organização dos trabalhadores, em repúdio ao gangsterismo sindical e ao uso da violência contra os trabalhadores e suas lutas, bem como contra todas as formas de criminalização da luta e da organização dos trabalhadores.

Dia 20 de agosto próximo será realizado um ato político, de caráter nacional, em São José dos Campos, em solidariedade aos trabalhadores da região, contra o banditismo sindical, e contra toda forma de criminalização da luta e da organização dos trabalhadores. Convidamos todos os sindicatos, movimentos populares, parlamentares, personalidades e entidades democráticas a participarem.


Coordenação Nacional da Conlutas / Coordenação da Conlutas do Vale do Parayba

sábado, 2 de agosto de 2008

Urgente: ataque fascista!


Segue abaixo uma gravíssima denúncia de uma demonstração cabal do caráter ainda muito precariamente democrático de nosso país. Quando organizações de trabalhadores são atacadas de modo tão bárbaro e brutal em pleno centro urbano de uma importante cidade industrial no estado mais importante do país, isto é sinal de que vivemos um momento muito grave. É urgente cercar de toda solidariedade possível os trabalhadores terceirizados da REVAP e a Conlutas, que por seu classismo e sua independência diante dos patrões e dos governos se torna alvo preferencial dos ataques do capital e de seus serviçais no movimento sindical. É urgente divulgar ao máximo esta denúncia e cobrar das autoridades que os responsáveis sejam punidos exemplarmente. Viva a luta dos trabalhadores! Viva a Conlutas!


Encapuzados invadem sede da Conlutas em São José e atiram contra operários


Invasores pretendiam impedir fundação de associação de operários da Revap

Um crime bárbaro contra a livre organização dos trabalhadores. Nesse dia 1º de agosto, sexta-feira, estava marcada a assembléia para a fundação da associação dos trabalhadores terceirizados da construção civil da Revap, a refinaria da Petrobras em São José dos Campos (SP). Os operários resolveram fundar uma associação pois o sindicato da categoria, ligado à CUT, é amplamente repudiado pela base e não representa os interesses dos trabalhadores.Ataque brutal

A assembléia começou às 18 horas na sede da Conlutas, no centro de São José. Às 18h10, quando já havia 70 trabalhadores no prédio e alguns operários ainda chegavam ao local, cerca de 60 homens invadiram violentamente o prédio. Testemunhas afirmam que os invasores chegaram ao local em um ônibus. Encapuzados e portando armas de fogo de grosso calibre, depredaram o prédio e os carros estacionados no local. “Estavam com escopetas, metralhadoras, bombas, e todo tipo de arma; chegaram a atirar e soltar rojões contra os trabalhadores”, afirmou ao Portal do PSTU José Donizete de Almeida, da Coordenação da Conlutas do Vale do Paraíba.

Um operário foi atingido por um tiro na mão. Os homens encapuzados também roubaram a ata, estatuto e demais documentos da assembléia, demonstrando a clara intenção de impedir a fundação da associação. Permaneceram dez minutos no prédio e fugiram, deixando para trás um rastro de destruição e quase uma vítima fatal.“Exijo uma investigação profunda sobre esse ataque contra a livre organização dos trabalhadores”, afirmou Donizete. A organização da associação ia contra muitos interesses. “A fundação da associação desagradava a Petrobras, as empreiteiras e o sindicato da Construção Civil, ligada à CUT”, denunciou ainda Donizete.

Apesar do ataque e do seqüestro dos documentos, a associação foi fundada. ”Não vai ser isso que vai nos abalar, estamos com a cabeça erguida e fundamos a associação, mesmo com o sangue dos trabalhadores”, declarou o dirigente da Conlutas, que ainda chamou a todas as entidades do movimento sindical e popular a repudiar esse bárbaro ataque.Vitória contra os patrões e a CUTOs trabalhadores da Construção Civil da Revap protagonizaram uma das principais mobilizações operárias desse primeiro semestre. Indo contra a direção do próprio sindicato, ligado à CUT, os trabalhadores buscaram o apoio da Conlutas para realizar uma forte greve. A mobilização durou um mês e terminou com uma contundente vitória.

A Petrobras e as empreiteiras, porém, foram para o ataque. Nas últimas semanas anunciaram centenas de demissões, incluindo as principais lideranças da greve. A direção da Petrobras chegou a chamar e autorizar a entrada da tropa de choque na refinaria para reprimir uma manifestação dos operários contra as demissões.

As mobilizações reforçaram para os trabalhadores a necessidade de uma entidade alternativa ao sindicato cutista, amplamente repudiado na base da categoria. O sindicato da CUT desconta mensalmente 1% dos salários de todos os trabalhadores. Isso garante uma receita que ultrapassa R$ 1 milhão ao ano, mesmo a entidade tendo pouquíssimos filiados.

Daí dá pra se ter uma idéia dos interesses que estão contra a organização independente dos operários da refinaria.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Espaço Público


Ontem foi ao ar a última edição do programa Espaço Público na TV Brasil, antiga TVE do Rio de Janeiro. Este programa, que em minha opinião era o melhor da TV aberta, se constituiu, durante os sete anos em que esteve no ar, em um fórum democrático, amplo e diversificado de debates e confrontos de idéias, onde se aprofundavam, analítica e criticamente, os acontecimentos noticiados durante o dia na imprensa. Como assíduo telespectador deste programa desde sua estréia em 2001, não estou disposto a aceitar qualquer pretensa justificativa supostamente técnica para a extinção do programa por parte da direção da TV Brasil. Não só entendo que é importante que fique bem claro qual era o problema do programa (excesso de independência, talvez?) como também que a direção da TV Brasil reveja sua posição. Aderindo à campanha que já circula na Internet, divulgo seu texto integral. Por uma TV pública democrática, este é o nosso anseio.


Em defesa do único fórum de debates políticos e de atualidades na TV Brasileira: todos juntos pela permanência do... Gostaríamos de externar nossa insatisfação com relação à retirada do programa "ESPAÇO PÚBLICO" da grade de programação da TV BRASIL, prevista para 31 de julho de 2008.

Consideramos que uma das principais funções de uma TV PÚBLICA é incentivar o debate de grandes temas nacionais, garantindo a liberdade de expressão e a pluralidade de opiniões. Sem que haja transparência e democracia, não existe TV PÚBLICA. Assim como também não existe TV PÚBLICA se há subordinhação aos interesses ou à mesma lógica mercadológica que rege as redes e emissoras comerciais.

A dificuldade em obter patrocínio para um determinado programa não pode e nem deve ser o único fator a ser levado em consideração para sua descontinuidade. Sobretudo porque o país confia ao conselho gestor os recursos necessários à TV PÚBLICA, a fim de ela cumpra sua missão de oferecer à população conteúdos relevantes e que não necessariamente são contemplados pela lógica de mercado. Participe também desta campanha enviando uma cópia da mensagem acima para o SAP da TV BRASIL:http://democracia. comunicacaopopular.org/