quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Rio de Janeiro: funk-se!


Já é o momento de realizar uma avaliação do desempenho – léxico bem ao gosto dos neoliberais de plantão – do governo estadual sob a direção de Sérgio Cabral Filho. Em primeiro lugar, é possível afirmar que o governo de Cabral expressa a triunfante retomada do controle do aparato publico estadual por parte da burguesia carioca, encastelada nos luxuosos bairros da zona sul da “Cidade Maravilhosa” e na sub-miamiana Barra da Tijuca. Constatar este fato não é constatar pouca coisa, já que os bem conhecidos e “sofisticados” particularismo, elitismo e reacionarismo da burguesia carioca, manifestam-se plenamente nas ações do governo estadual.

Vale a pena destacar, já que não é sem importância, a esmagadora preponderância das questões específicas da cidade do Rio de Janeiro na agenda política do governo. Mais uma vez o interior do estado acha-se completamente abandonado no que diz respeito a uma estratégia pública e progressista de desenvolvimento econômico-social, mantendo-se, desta forma, sua população, como refém dos projetos privados – e, muitas vezes, inconfessáveis – das elites locais e seu regionalismo reacionário.

No que se refere aos mais fundamentais setores de atuação do poder público estadual – saúde, educação e segurança pública – o quadro é de horror, de uma continuista e profunda precariedade. Os serviços e servidores públicos se encontram, hoje, acossados numa grave penúria determinada pela lógica contracionista e privatista do comandante das finanças estaduais, Sr. Joaquim Levy. Diversos órgãos públicos estaduais, como o IASERJ e a PESAGRO, por exemplo, estão à beira da extinção. Instituições vitais como a UERJ, estão em decadência. A saúde caminha em direção à privatização branca (através das fundações de direito privado). A segurança pública está submetida à sanha genocida do elitismo burguês, garantindo “ganhos de produtividade” de cadáveres (de civis e policiais) como nunca sem, no entanto, ampliar a segurança do público. Na área da educação, que eu deixo por último, pois me diz respeito mais de perto, além do abandono e da precariedade absoluta, agora, ridiculariza-se a população por meio de um convênio com a produtora musical Furacão 2000 (a mesma do “Creu” e das “popozudas”) no sentido de elevar o nível de consciência da juventude a respeito de cidadania e sexualidade. Podemos resumir o recado da gestão do governo estadual ao povo do estado como: Rio de Janeiro: funk-se!

2 comentários:

Rodrigo Rosselini disse...

Sobretudo a gente aqui do interior...
Abração,
Prometo voltar mais vezes.

Maycon Bezerra de Almeida disse...

Valeu Rodrigo. Um abração!