sábado, 11 de abril de 2009

Democracia nas escolas e no município


A luta reivindicativa que vai ganhando força a nível municipal, exigindo a efetiva gestão democrática nas escolas municipais de Campos dos Goytacazes é um precedente fundamental, uma bandeira necessária e uma causa que transcende os seus próprios objetivos imediatos.

Em primeiro lugar, a capacidade, ainda incipiente, mas real, dos profissionais da educação municipal de se lançarem ao questionamento prático e ativo do repugnante mecanismo autoritário do loteamento privado (por parte de vereadores e cabos eleitorais aliados à facção política dominante na cidade) das instituições públicas do município, como escolas e creches, é um precedente que deixa claro que o clientelismo corrupto e desmobilizador não pode funcionar para sempre e para todos. É necessário articular as insatisfações e criar uma frente ampla de indignados capazes de formar uma oposição social e política que realmente se oponha aos desmandos e absurdos que vigoram na política municipal.

Em segundo lugar, não é possível admitir que em um regime que se proclama democrático, as escolas, que são aquelas instituições que guardam o papel de ser um instrumento fundamental na consolidação e aprofundamento da democracia na sociedade, sejam submetidas a um autoritarismo arcaico que nega o princípio legal da gestão democrática das instituições educacionais. As escolas, socializando saberes e desenvolvendo práticas que formam a infância e a juventude no caminho do exercício prático e pleno da cidadania, são baluartes essenciais da construção democrática, subjugadas pelo clientelismo autoritário ou pelo frio tecnicismo empresarial têm suas potencialidades progressistas deformadas, mutiladas e atrofiadas completamente.

Por último, a luta levada a cabo pelos profissionais da educação choca-se diretamente contra um dos principais eixos do mecanismo político corrupto e corruptor, autoritário e clientelista que reproduz a alternância eleitoral das facções políticas do lumpen-empresariado no poder público municipal. Bloquear a possibilidade de se trocar votos e apoio parlamentar por cargos na administração pública, por meio de sua racionalização e democratização, é uma necessidade vital para derrotar as facções políticas adversárias e siamesas que impedem a construção de uma realidade digna para os cidadãos campistas. Hoje a luta é contra a nomeação de diretores e diretoras para escolas e creches, exigindo as eleições diretas por parte da comunidade escolar, mas nada impede que os princípios da legalidade, moralidade, eficiência e democracia tornem-se uma bandeira a ser implementada em todos os níveis da administração municipal.

4 comentários:

Professora Hilda Helena disse...

Querido Maycon:

Excelente postagem!
Nós categoria(sepe) sabemos que esta reivindicação é antiga e necessária pois indicações de diretores há anos geram protestos na categoria ,essa lei que será discutida na terça-feira na Câmara de Vereadores sobre a eleição direta para a escolha de diretores das escolas municipais é um importante trunfo contra as indicações políticas no Setor,como disse Fábio Siqueira na matéria da Folha!
Um abraço!
Vou dar uma chamada no meu blog para este post,ok?

Maycon Bezerra de Almeida disse...

Valeu minha cara Hilda, sigamos em frente. Um abração!

Anônimo disse...

Estamos de olho no encaminhamento feito a câmara municipal pelo prof. Fábio Siqueira, coordenador do SEPE, de ítens importantes da pauta de reinvidicações, já enviada a prefeita anteriormente. Os ítens se referem a eleição de diretoras (es) e revisão do plano de carreira.
Abraços, prof. Maycon!!!

Mauricio Quitete disse...

Dou todo apoio!



Graças a Deus Maycon é meu professor!