sexta-feira, 6 de março de 2009

Estupra, mas não aborta!


É repugnante a postura do arcebispo de Recife, da CNBB e do Vaticano no que diz respeito à condenação pública – através do rito da excomunhão – da família da menina de Pernambuco estuprada e engravidada pelo padrasto, e da equipe médica que nela realizou um procedimento de aborto.

O fundamentalismo religioso é uma chaga social que deve ser combatida em nome do progresso da humanidade e dos verdadeiros valores humanistas. Em seu zelo por dogmas petrificados e descolados da vida real, os fundamentalistas religiosos preferem a possibilidade da morte de milhares de mulheres, submetidas a abortos clandestinos, por ano a simplesmente arranhar um de seus “valorosos” princípios irracionalistas imutáveis.

O desprezo demonstrado diante do drama concreto da criança em questão e de sua família, revela o quanto estes “partidários do amor”, os fundamentalistas religiosos, expressam a antiga noção de que a pior hipocrisia é a hipocrisia de origem religiosa.

Como se fosse pouco, os “homens de fé” em questão ainda foram capazes de afirmar que o estuprador pedófilo merecia uma repreensão menos severa do que aquela reservada à família da menina e à equipe médica. É o cúmulo do anti-humanismo e da mentalidade reacionária e obscurantista. Diante de tanta escuridão, não me canso de proclamar a necessidade e as virtudes da razão que, de acordo com Habermas e os marxistas, entre outros, ainda não foi capaz de completar suas possibilidades iluminísticas em função dos constrangimentos e mutilações a ela impostas pela lógica do capital.

Um comentário:

depoimento disse...

É o mundo em que vivemos os criminosos são os que mais tem direitos na justça dos homens e também agora acreditem se quizer alguns acham também que na justiça de DEUS.