segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A elite da elite

Desde que comecei meus estudos em ciências sociais, um dos pesquisadores que mais me causou admiração foi professor da UFF, o uruguaio naturalizado brasileiro, René Dreifuss, lamentavelmente falecido. Apesar de seu livro sobre o golpe de 1964 (1964: a conquista do Estado) ser a obra sua mais famosa, é outro o que mais me impressiona: “A internacional capitalista”. Neste livro Dreifuss desenvolve sua teoria na qual afirma que a dominação de classe do empresariado no capitalismo não se reproduz devido a nenhum tipo de lógica inerente “ao capital”, mas sim, devido a ação planejada por aquilo que o autor conceituou, baseado no italiano Antonio Gramsci, como “elites orgânicas”.

As elites orgânicas são, em linhas gerais, organizações políticas pára-partidárias dedicadas à reprodução da dominação burguesa na sociedade capitalista. Reúnem em seu seio a vanguarda dos empresários, tecno-empresários, intelectuais, militares e políticos (estes com menor expressão) que se empenham em elaborar a estratégia política (em sentido lato) para garantir a viabilização prática dos interesses do grande capital na sociedade, com táticas adequadas a cada momento histórico.

No Brasil de hoje, existe uma organização que pode ser identificada como a principal elite orgânica capitalista em atividade: o Instituto Millenium. Esta organização que se constitui como “um centro de estudos, pesquisa, divulgação e formação em assuntos públicos de governo, política, economia, sociedade e cultura, que promove os valores e princípios de uma sociedade livre – liberdade individual, direito de propriedade, economia de mercado, estado eficiente, democracia representativa, estado de direito e limites institucionais à ação do governo”, deixa claro que o objetivo dos membros do grupo é “alcançar o público formador de opinião e o público em geral para garantir que nos tornemos uma força efetiva e poderosa em nome da liberdade econômica, política e cultural. A idéia, portanto, não é apenas produzir pesquisa, mas apontar soluções consistentes com nossa visão e divulgá-las.

Esta verdadeira elite da elite, constitui o núcleo duro dos interesses do grande capital no Brasil, em especial os setores da grande mídia corporativa, do capital financeiro e dos setores associados ao capital transnacional. Revestem-se da capacidade de se formar como a principal base de defesa do modelo neoliberal ortodoxo no país. Para todos aqueles, em maior ou menor medida, empenhados em tentar acompanhar os rumos da vida política brasileira, recomendo não perder de vista os movimentos realizados pelo Instituto Millenium enquanto força efetiva de organização e mobilização dos interesses do grande capital. Se alguém tiver dúvidas sobre a capacidade real desta organização, segue abaixo a lista com os seus integrantes retirada de sua página de Internet (www.imil.org.br)


Diretor Executivo

Paulo Uebel
Advogado, graduado pela PUC/RS. Especialista em direito tributario pela UFRGS. Certificado em Lideranca Global pela Georgetown University. Presidente do Instituto de Estudos Empresariais - IEE na Gestao 2005/2006.


Conselho de Governança e Mantenedores

Eduardo Viola
Professor titular do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, tem doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. Foi professor visitante das universidades de Stanford, Colorado, Notre Dame e Amsterdam. Tem orientado dezenas de teses de mestrado e doutorado, é membro de vários comitês científicos nacionais e internacionais e conta com dezenas de artigos publicados em prestigiosos periódicos.

Gustavo H. B. Franco
Bacharel e mestre em Economia pela PUC-Rio, e possui os títulos de mestre e doutor pela Universidade de Harvard. No serviço público foi secretário de política econômica (adjunto) do Ministério da Fazenda, diretor de assuntos internacionais e presidente do Banco Central do Brasil. Participa de diversos conselhos de administração, consultivos e de eventos corporativos como palestrante. Em paralelo, mantém algumaatividade acadêmica (aulas e pesquisas) e escreve para jornais e revistas. Seus escritos podem ser encontrados em sua home page: www.econ.puc-rio.br/gfranco.

Gustavo Marini
Sócio-fundador da Turim Family Office. Foi diretor-presidente do Santander Brasil Asset Management e do Santander Brasil Private Equity, enquanto diretor ­ executivo do Banco Santander do Brasil. Foi executivo do Banco de Investimentos Garantia e diretor ­ executivo do banco Bozano, Simonsen. Tem MBA pela COPPEAD / UFRJ e M.Sc. em Business pelo MIT ­ Massachussets Institute of Technology.

Helio Beltrão Filho
Foi executivo do Banco CSFB Garantia, é membro do Conselho do Grupo Ultra e sócio da Gestora de Recursos Sextante Investimentos. Tem MBA na Universidade de Columbia de NY.

João Roberto Marinho
Vice-presidente das Organizações Globo.

Jorge Gerdau Johannpeter
Presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau.

Luiz Eduardo Vasconcelos
Foi diretor executivo das Organizações Globo e é atualmente membro do Conselho de Administração da Infoglobo e do Conselho Editorial das Organizações Globo. É engenheiro pela Universidade Gama Filho.

Maristela Mafei
Sócia-diretora e fundadora do grupo Máquina, agência de comunicação. Formada em Jornalismo pela PUC-SP, foi repórter da Folha de S.Paulo e editora da revista Globo Rural. Trabalhou também no Departamento de Pesquisas da Rede Globo e atuou como produtora na rádio e na televisão Cultura.

Patrícia Carlos de Andrade (Presidente)
Economista, graduada, com mestrado pela PUC-RJ, tendo cursado, sem concluir a tese, o programa de doutorado da Universidade da Pensilvânia. Trabalhou nos bancos Icatu e JPMorgan.Autora do livro “Oriente-se Guia de Profissões e Mercado de Trabalho”, lançado em 2000. Foi diretora executiva do Instituto Millenium no periodo de 2005 a 2008.

Paulo Guedes
Sócio e diretor-estrategista da Fiducia, além de membro de seu Comitê Executivo. Foi diretor e um dos sócios fundadores da JGP Asset Management. Foi também sócio-fundador do Banco Pactual S/A esócio-presidente do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais ­ - IBMEC. Mestre e PhD em Economia pela Universidade de Chicago, foi professor da EPGE-FGV, do departamento de economia da PUC-Rio e do Instituto de Matemática Pura e Aplicada.

Pedro Henrique Mariani
Presidente do banco BBM.

Roberto Civita
Presidente do Grupo Abril.

Sérgio Foguel
Conselheiro de Administração da Odebrecht S.A.

Washington Olivetto
Publicitário, Diretor de Criação e Presidente da W/Brasil.

William Ling
Diretor Presidente do grupo Petropar.


Conselho Fiscal

Augusto Teixeira de Freitas
Diretor-sócio da Ativa S.A.

Odemiro Fonseca
Empresário

Paulo Áreas
Economista.


Conselho Editorial

Antonio Carlos Pereira
Editor de editorias e opinião do Jornal Estado de São Paulo.

Eurípedes Alcântara
Trabalhou no jornal O Globo e está na Veja há 25 anos. Começou como chefe de Belo Horizonte e em seguida fez carreira na redação de Veja, tendo sido editor-assitente, editor, editor-executivo, correspondente em Nova York, redator-chefe e, até março de 2004, diretor adjunto. Hoje é diretor da redação de Veja e recentemente assumiu também a diretoria editorial das revistas Veja São Paulo e Veja Rio.


Conselho de Fundadores e de Curadores

Armando Castelar Pinheiro
Pesquisador e professor de Economia diplomado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 1977, mestre em MatemáticaAplicada (Instituto de Matemática Pura e Aplicada, IMPA, 1981) e em Administração (COPPEAD/UFRJ, 1983) e PhD. em Economia pela University of California, Berkeley, em 1989. Desde 1990 é professor adjunto do Instituto de Economia da UFRJ. Atualmente é membro da Comissão de Economia da Federação Brasileira de Bancos, pesquisador do Instituto de Pesquisa Economia Aplicada/IPEA e articulista do jornal Valor Econômico, SP. Possui ampla produção acadêmica, publicada em revistas e livros, no Brasil e no exterior.

Carlos Pio
Professor de economia política internacional da Universidade de Brasília ­ UnB e é mestre e doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro - IUPERJ. Entre suas publicações, destacam-se: “A Estabilização Heterodoxa no Brasil: idéias e redes políticas” e “Liberalização do Comércio: padrões de interação entre elites burocráticas e atores sociais”, incluído no volume Reforma do Estado e Democracia no Brasil.

Héctor Leis
Doutor em filosofia, professor da Universidade Federal de Santa Catarina e autor de numerosos trabalhos nas áreas de filosofia política, relações internacionais, e sociologia ambiental.

João Accioly
Estudante de Direito da PUC-Rio e trabalha no escritório Macêdo, Lobo & Advogados. Foi premiado pelo Instituto Liberal em 2005 - II Prêmio Donald Stewart, Jr., com o ensaio: “Brasil: A Caminho da Servidão”.

Jorge Maranhão
Publicitário, consultor, escritor, mestre em Filosofia pela UFRJ, autor de A Arte da Publicidade e de Mídia e Cidadania, além de outros livros de ficção. Tem colaborado com artigos de opinião sobre mídia, cidadania, arte, cultura, política e comunicação nos principais jornais do país. Atualmente, produz e apresenta os Boletins da Voz do Cidadão nas rádios Globo e CBN.

Maria José de Queiroz
Doutora em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e professora catedrática, por concurso, da mesma Universidade. Visiting professor da Univesidade de Indiana, nos Estados Unidos, professeur associée da Universidade de Paris-Sorbonne, professora convidada de inúmeras universidades européias, vem associando o exercício do magistério ao estudo e à pesquisa de grandes temas que interessam à literatura geral, à filosofia, à antropologia à história das idéias.

Raphael Tosti de Almeida Vieira
Jornalista formado na PUC-RIO.

Rodrigo Constantino
Economista pela PUC-Rio, com MBA de Finanças pelo IBMEC. Trabalha no mercado financeiro desde 1997. É autor dos livros Prisioneiros da Liberdade e Estrela Cadente: As Contradições e Trapalhadas do PT, e Egoísmo Racional - o individualismo de Ayn Rand.


Membros Colaboradores

Alberto Oliva
Filósofo, escritor e professor da UFRJ. Mestre em Comunicação e Doutor em Filosofia pela UFRJ. Professor-palestrante da EGN (Escola de Guerra Naval) e da ECEME (Escola de Comando e Estado-maior). Pesquisador 1-A do CNPq. Possui sigficativas publicações como “Liberdade e Conhecimento”, “Ciência e Sociedade. Do Consenso à Revolução”, “A Solidão da Cidadania”, “Entre o Dogmatismo Arrogante e o Desespero Cético” e “Ciência e Ideologia”.

Antônio Carlos Salles
Possui uma sólida carreira na área de Assuntos Corporativos, Comunicação Corporativa e Relações Governamentais, desenvolvida em empresas como Ciba-Geigy, Perdigão e Novartis. Atualmente, ocupa a posição de Diretor de Assuntos Corporativos e Relações Governamentais da Bristol-Myers Squibb. É formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Pará, em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Cásper Líbero, pós-graduado em Gestão de Processos Comunicacionais pela ECA/USP e em Formação Política pela Escola de Governo. Ari Francisco de Araújo Jr Professor e pesquisador do IBMEC-MG e do Instituto de Desenvolvimento Humano Sustentável da PUCMINAS.

Ari Francisco de Araújo Jr.
Economista graduado pela Universidade de São Paulo (1998) com mestrado em Teoria Econômica pela Universidade Federal de Minas Gerais (2001). Atualmente é professor assistente III do Ibmec Minas e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais.

Claudio Considera
Professor da Faculdade de Economia e Finanças do Ibmec e do Departamento de Economia da UFF, e consultor econômico do escritório Fontes, Tarso Ribeiro Advogados.

Demetrio Magnoli
Formou-se em Ciências Sociais e Jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). É doutor em Geografia Humana pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Fernando Veloso
Economista, professor, coordenador do Mestrado em Economia do Ibmec/RJ, Ph.D. pela University of Chicago e autor de diversos artigos.

Guilherme Fiúza
Jornalista, colunista do site No Mínimo e titular do blog Política & Cia. É autor dos livros “Meu Nome não é Johnny” e “3000 Dias no Bunker”.

Gustavo Ioschpe
Formado magna cum lauda na University of Pennsylvania ­ Strategic Management (B.S., Wharton School), Ciência Política (B.A., College of Arts and Sciences). Mestre em Desenvolvimento Econômico e Economia Internacional ­ Yale University. Autor de Como Passar no Vestibular da UFRGS (1995), Vestibular não é o Bicho (1996, 2ª ed 1997) e A Ignorância Custa um Mundo ­ O Valor da Educação no Desenvolvimento doBrasil (2004), além de co-autor de diversos outros livros. Colunista da Folha de S. Paulo (1996-2000), Folha Online (2000-01), Gazeta Vargas (FGV-SP, 2002) e revista Educação (2005- ). Autor de artigos publicados, inter alia, em Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, O Globo, Zero Hora, Carta Capital e Istoé. Consultor de projeto do Banco Mundial/PNUD para o Ministério da Educação do Brasil sobre financiamento internacional de educação (2005-…). Vencedor do Prêmio Jabuti 2005 e recipiente de menção honrosa do Senado Federal pelo livro A Ignorância Custa um Mundo. Fundador e presidente da G7 Investimentos. Conselheiro da Iochpe-Maxion S.A. e Fundação Ioschpe.

José Andrés Lopes da Costa
Advogado, trabalha com direito tributário e societário, sócio da Rennó, Aragão & Lopes da Costa. Leciona Contratos Financeiros na FGV - DIREITO na pós graduação. Foi professor do curso de Direito Tributário Internacional da pós-graduação em Direito Internacional da PUC - RJ e professor substituto de Direito Comercial e Societário da UFRJ. Hoje trabalha internamente no Grupo Bozano.

Maria Helena Zockun
Economista, pesquisadora da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), atualmente exercendo a função de coodernadora de pesquisas da instituição.

Mario Cesar Flores
Almirante-de-Esquadra (Reformado), ex-Ministro da Marinha e da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

Modesto Carvalhosa
Advogado atuante na área do direito societário.

Octavio Amorim Neto
Professor de ciência política da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE), da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro. É autor de Presidencialismo e Governabilidade nas Américas (Rio de Janeiro: FGV Editora e Konrad-Adenauer-Stiftung, 2006)

Pedro Bial
Jornalista e apresentador de televisão. Ex-correspondente internacional da Rede Globo em Londres, no início da década de 1990 cobriu eventos importantes como a Guerra do Golfo, o colapso da União Soviética e a queda do Muro de Berlim. Trabalhou no Jornal Hoje e nos programas Globo Repórter e Fantástico. Atualmente comanda o reality show Big Brother Brasil.

Roberto DaMatta
Um dos mais ilustres antropólogos brasileiros. Ocupa a Cátedra Reverend Edmund P. Joyce, CSC da Universidade Notre Dame, em Indiana, Estados Unidos. É autor de vários estudos importantes, entre os quais se destacam “Carnavais”, “Malandros e Heróis”, “A Casa & a Rua” e “O que faz o brasil, Brasil?”.

Sérgio Coelho
Advogado, sócio de Coelho, Ancelmo & Dourado Advogados, Pós Graduado em Direito da Economia e da Empresa (FGV/RJ), professor convidado da Escola de Pós Graduação em Economia (EPGE) da FGV/RJ, membro do Conselho de Representantes da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro e Conselheiro do SESC/RJ.

Silvério Zebra
Diretor-Presidente do PROBUS Consulting Group (licenciado 2004-2007) e Coordenador do Programa de Estudos Interamericanos do Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes (PIAM/CEAs/UCAM). Economista do BNDES com diplomado em Economia Social de Mercado pela Universidad Miguel de Cervantes (Santiago, Chile) e Mestrando em Relações Internacionais na PUC-Rio (com extensão na International Leadership Academy da Universidade das Nações Unidas (Amã, Jordânia)). Consultor e observador internacional da OEA, PNUD, União Européia, IRI (EUA), KAS (Alemanha), FAES (Espanha), ODCA (Chile) e DDC (Cuba). É representante-residente da The Graduate School of Political Management at The George Washington University (GSPM/GWU) no Brasil.

Walter de Mattos Junior
Economista graduado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro ­ UERJ, com cursos de pós-graduação em negócios pela London Business School (LEP) e em administração (SEP) pela Insead França, curso de extensão em gestão pelo IMD Suíça e MBA Executivo em finanças pelo IBMEC. Foi vice-presidente do Grupo “O Dia” durante 9 anos. Fundou em 1997 e é presidente e editor do Grupo LANCE!, o primeiro diárionacional de esportes do Brasil; também foi fundador e membro do Conselho do Viva Rio. Membro do Conselho de Administração da Lorentzen (Aracruz Celulose, Norsul Navegação e Ideiasnet).


Equipe

Cristina Camargo
Bacharel em Comunicação Social pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Luiz Felipe Costamilan
Bacharelando em Administração na PUC-RJ.

Julliane Fuly
Bacharelanda em Administração na PUC-RJ.

Christianne Mattos
Bacharelanda em Direito na Universidade Estácio de Sá.


Gestor do fundo patrimonial

Armínio Fraga
Ex-Presidente do Banco Central do Brasil (março de 1999 a dezembro de 2002). Anteriormente, ocupou durante 6 anos o cargo de Diretor Gerente da Soros Fund Management LLC em Nova York. Durante 1991-92, ocupou o cargo de Membro da Junta de Diretores e Diretor do Departamento de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil. Trabalhou em Salomon Brother em Nova York e no Banco de Investimentos Garantia, no Brasil. Atualmente, é professor da Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro. Lecionou também na Escola de Assuntos Internacionais da Universidade de Colúmbia, na Escola Wharton e na Universidade Católica do Rio. É Doutor em Economia formado na Universidade de Princeton

5 comentários:

Roberto Torres disse...

Caro Maycon, com certeza a tese de uma elite organica, no sentido de produzir uma visao coerente de mundo afinada com a reproducao dos interesses do capital, como voce descreveu é um conceito necessário para entendermos como funciona o capitalismo. A tese de Boltanski e Chiapello sobre o novo espírito do capitalismo mostra, por exemplo, como a gerencialismo se consitui como os porta vozes prediletos das ideologias necessárias para o engajamento com as demandas do capital. Mas, já neste magnifico livro, vemos o quanto é difícil reduzir a producao dos impulsos ideológicos que o capitalismo precisa a um conjunto locazilado que controla de cima tudo que acontece em baixo. O capitalismo se reproduz com o nosso consentimento cotidiano, em nossos estilso de vida. Imaginar que uma elite pensante e auto-consciente realize toda esta tarefa é a idéia mais infantil que alguém pode defender. No fundo, um anseio infantil por encontrar logo "o" inimigo, a quem devemos atacar, como se a reproducao de uma sociedade nao envolvesse a todos, mesmo os empenhados na atividade de crtitica-la.

Maycon Bezerra de Almeida disse...

Roberto, não entendi seu comentário. É óbvio que a elite orgânica não tem o poder de transformar imediatamente seus projetos em realidade, aí vai todo um campo de mediações eminentemente político. Na verdade, é para isto que a elite orgânica existe, para fazer política (em seu sentido amplo)e trabalhar para que os interesses do capital hegemonizem a sociedade. Agora, você quis dizer que a elite orgânica não é pensante e nem auto-consciente de seu papel e função? Isto eu considero grande ingenuidade política. Entendi corretamente seu comentário? Se não , corrija-me. Um abraço!

Roberto Torres disse...

Maycon, o grau de auto-cosciencia desta elite pensando será tanto maior quando mais ela souber que o capitalismo se reproduz por coordenacao nao planejada de acoes, ou esse campo de mediacoes, como voce disse. A minha crítica nao é que essa elite nao haja convictamente em nome do capital. Acretido que ela age assim, e com eficácia. Mas que o campo de mediacoes, formado em grande parte por pre-compreensoes sobre o mundo que parmanecem inarticuladas e sub-politizadas, fugindo a consciencia de todos, inclusive dessa elite, é muito mais decisivo na reproducao do capital do que essa elite. A elite alias, se for definidada com precisao, muda mais com o tempo do que a visao de mundo inarticulada, incrustrada em instituicoes da economia política, cuja naturalizacao por todos a confere um status de segunda natureza. A nossa nocao moderna de tempo por exemplo é um elemento central dessa visao de mundo, cuja operacao na vida cotidiana nenhuma elite consegue impor, controlar ou alterar, sem o trabalho em pequeno de instituicoes dotadas de capilaridade.

Maycon Bezerra de Almeida disse...

Teria duas colocações a fazer com relação a seu comentário.
Em primeiro lugar, entendo que o papel de uma elite orgânica burguesa no contexto de uma ordem capitalista consolidada como a nossa é muito mais defensiva do que ofensiva, ou seja, é muito mais ligada a criar mecanismos ideológicos e políticos que bloqueiem a organização anatagonista das necessidades sociais das massas populares do que a garantir uma adesão ativa e militante aos pontos de vista burgueses.
Em segundo lugar acho importante voltar a Gramsci e pensar que a visão de mundo das grandes massas da população é formada de modo contraditório, encerrando elementos provenientes de diferentes origens. Se, por um lado, é correto que uma visão de mundo burguesa (reflexo do ponto de vista e das necessidades de classe da burguesia)é, normalmente, em maior ou menor medida, hegemônica na sociedade, ela nunca é monolítica e a própria situaçao concreta da classe trabalhadora, na sua vivência enquanto tal, no modo de produção capitalista abre uma contradição real entre sua prática e os elementos hegemônicos de sua visão de mundo, o que abre espaço para a exploração política transformadora do núcleo de bom senso que existe no senso comum. Neste ponto gostaria de retomar o fato de o que o próprio princípio democrático (amplamente valorizado socialmente) choca-se cada vez mais radicalmente com as necessidades de reprodução da ordem capitalista. A ruptura política (revolucionária, em seu sentido amplo, se preferir) com a soberania do capital na sociedade não exige uma prévia ruptura cognitiva ampla com a base cultural da sociedade burguesa, pode nascer (como sempre nasceu) da agudização das contradições presentes nesta própria base cultural (como a Revolução Russa, que se fez em nome de "pão, paz e terra"; e a Revolução Cubana que se fez em nome de democracia e independência nacional; demandas plenamente presentes na base cultural do mundo burguês, mas em flagrante contradição com o capitalismo concreto em determinadas situações concretas).

Anônimo disse...

Caro Maycon,

A elite não se organiza para fazer política, este papel pertence aos socialistas. A elite capitalista, assim como todos os empreendedores, fazendeiros, donos de propriedades e de seus próprios negócios age de maneira independente porém com o mesmo objetivo de ganhar o próprio lucro e impedir que o governo e outros ursupadores roubem o dinheiro, fruto do suor, através dos impostos e outras obrigações que retiram o dinheiro da classe produtiva para a classe parasita. Este esforço ocorre da mesma forma da "mão invisível" de Adam Smith, onde cada um age isoladamente e egoísticamente em busca do seu melhor, ou seja, menos intervenções do governo.O Instituto Milenium, diferentemente de organizações como o MST, não quer fazer uma revolução política, mas apenas debater estas idéias com a sociedade.

Um abraço,